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O DIÁRIO DO IMPEACHMENT: o que diz Eduardo Cunha sobre paraibanos citados no livro ‘Tchau, querida’

domingo, 25 de abril de 2021

/ Redação

 Felipe Nunes 

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Políticos da Paraíba foram mencionados em diversos momentos pelo ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, em seu livro ‘Tchau, querida – o diário do impeachment’, lançado no último fim de semana e que conta os bastidores do processo que culminou com o afastamento de Dilma Rousseff. Além dos deputados que participaram do processo, outros personagens são mencionados na obra.

No livro, Cunha narra episódios que ocorreram bem antes do impeachment, mas que contribuíram para o esgarçamento da crise política e para o desfecho que o Brasil inteiro conhece. Conforme a reportagem do Polêmica Paraíba mostrou em primeira mão, um dos personagens lembrados é o ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), aliado ao governo petista.

Ricardo Coutinho

Eduardo Cunha lembrou da viagem à Paraíba durante o programa ‘Câmara Itinerante’, quando foi recebido por protestos de manifestantes de esquerda. Segundo ele, o episódio foi organizado pelo então governador Ricardo Coutinho, a quem teceu críticas.

“No dia 10, em João Pessoa, sofri uma forte contestação orquestrada pelo PT e pelo governador Ricardo Coutinho, do PSB. Puseram manifestantes dentro da Assembleia e impediram a Polícia Militar de dar segurança ao evento, deixando vulnerável toda a delegação da Câmara. Ataquei fortemente o PT e o governador, sendo que a vice-governadora, que estava presente, ficou sem ter condições de segurança e foi desrespeitada pelo seu próprio governo”, contou.

Ainda sobre o episódio, Cunha diz ter ligado para o então vice-presidente, Michel Temer, e demonstrado insatisfação, o que viria a ser o prenúncio de rompimento total com Rousseff. Na ocasião, Temer ainda não havia abraçado o impeachment de forma clara e decisiva, e ainda tentava uma “alternativa” para a crise.

“Disse que daquele jeito não poderiam mais contar comigo, pois não adiantava me pedir trégua e ajuda e, em seguida, mandarem me atacar. Falei ainda que se o PT era adversário e o governo era do PT, estando por trás disso, eu trataria o governo como mais adversário ainda. Temer ficou muito preocupado com a repercussão, até porque ele estava no exercício da Presidência da República – Dilma tinha viajado –, e isso passaria a ser uma crise se não fosse contornada”, relembrou.

Após a publicação do livro, Ricardo Coutinho se manifestou por meio das redes sociais, alegando que não poderia enviar a PM para adentrar no prédio de outro Poder, e acusou Cunha de compartilhar ‘fake news’.

Manoel Júnior

Também no livro, Eduardo Cunha conta episódio em que o ex-deputado federal e atual prefeito de Pedras de Fogo, Manoel Júnior, quase foi nomeado para o Ministério da Saúde pela então presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, a nomeação foi barrada por Ricardo Coutinho, adversário de Júnior.

Cunha lembra que, quando enfrentava processo no Conselho de Ética da Câmara, o paraibano ingressou com um recurso para que o deputado Fausto Pinato fosse destituído da relatoria do processo, o que acabou se concretizando.

Hugo Motta

Outro paraibano mencionado é Hugo Motta, que disputou a liderança do MDB na Câmara em meio ao clima de impeachment. Segundo Cunha, a derrota do paraibano na disputa interna do partido foi também a única vitória de Dilma Rousseff sobre ele na Câmara dos Deputados.

Aguinaldo Ribeiro

O deputado Aguinaldo Ribeiro (PP) é citado como ‘Agnaldo’ por Eduardo Cunha, no livro. Dentre as lembranças, a de que o paraibano se opôs à nomeação de Rodrigo Maia como líder do governo Temer no início da gestão emedebista no Palácio do Planalto, após o impeachment. “Agnaldo Ribeiro depois viria a ser o grande aliado de Maia’, diz Cunha.

Em outro trecho, Cunha afirma que Ribeiro não teve o apoio do PP quando foi ministro do Governo Dilma devido à atuação do paraibano em relação às obras orçamentárias de 2013, “que só beneficiou seus interesses, em detrimento do partido”, apontou.

Cássio Cunha Lima

O ex-senador Cássio Cunha Lima (PSDB) é mencionado, mas não em relação ao impeachment. No material, Cunha lembra que o paraibano foi o relator da Medida Provisória 608, relacionada a bancos, e acatou uma emenda sugerida pelo emedebista na ocasião.

Segundo Cunha, a emenda acatada pelo senador paraibano, que impedia o aproveitamento de créditos de bancos em liquidação, era a prova de que Cunha não se beneficiara com a medida, como afirmara uma acusação do Ministério Público Federal (MPF).

Deputados federais paraibanos

O posicionamento de parlamentares paraibanos no impeachment também foi destaque na obra, que relata os bastidores da crise, as pressões e os interesses de parlamentares contrários e a favor do Governo Dilma, bem como os bastidores e as reuniões entre os diferentes atores políticos nacionais.

Os paraibanos tiveram um papel de destaque no enredo da crise, já que, segundo Cunha, foi a partir dos votos deles que houve a sensação de que o processo era ‘irreversível’ e iniciou-se a contagem regressiva para o placar final que marcaria a derrocada do PT da Presidência da República.

Os votos

Conforme conta no livro, Cunha tinha a ideia de que seria o voto de um dos deputados paraibanos que alcançaria a marca de 342, número necessário para a abertura do impeachment, o que consagraria o afastamento. Mas não foi exatamente este o roteiro. Faltavam 14 votos para se atingir os 342 votos, quando os paraibanos começaram a votar. Ele relembrou o voto de cada um.

“Aguinaldo Ribeiro (PP): sim; Benjamin Maranhão (SD): sim; Damião Feliciano (PDT): não; Efraim Filho (DEM): sim; Hugo Motta (PMDB): sim; Luiz Couto (PT): não; Manoel Junior (PMDB): sim; Pedro Cunha Lima (PSDB): sim; Rômulo Gouveia (PR): sim; Veneziano Vital do Rêgo (PMDB): sim; Wellington Roberto (PR): não; e Wilson Filho (PTB): sim. Nove a três a favor do impeachment”, disse.

As reações

Após os votos dos paraibanos, segundo Cunha, “A festa já tomava conta do plenário. Músicas eram cantadas e havia muita expectativa pelo voto decisivo. Deputados que haviam saído após terem votado retornaram para assistir ao desfecho. Muitos levaram esposa e filhos para o plenário. Era difícil conter o ímpeto dos parlamentares”, relatou.

O voto decisivo foi do então deputado Bruno Araújo (PSDB), de Pernambuco, que foi escolhido nos bastidores para ser o voto de número 342.

“Assim, às 23h07, depois de 11 horas da sessão, Bruno Araújo iria proferir o voto. Ele silenciou o plenário, fez a declaração de maneira calma e longa, sem interrupção. Sim. O plenário e o país explodiram. Era o voto 342 – que definia a admissibilidade do pedido de impeachment por crime de responsabilidade de Dilma Rousseff”, c
ontou.


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